quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Natureza Morta

Era só uma montanha,
de pedra, imóvel e intransponível,
grandiosa, forte, invencível,
resistindo a história da vida, 
observando... guardando na memória, 
fatos que ocorreram ao tempo. 
Sem perceber, minúsculas partes 
perdeu com o vento, com a chuva, 
com o sol... e de todo o povo
ouviu os lamentos.
Forte sensível, aos poucos 
cedeu às intempéries
e sempre só... sempre menor,
mas ainda intransponível.
Observava a vida calada, sem intervir na história
as lições guardava, que incauta
viu e ouviu em cada jornada.
Consciente da sua grandeza, 
à vida sua beleza oferece, 
beleza imóvel, inerte.
E lentamente assim, sua majestade perde.
Aos poucos em pó se converte.
Em grãos de areia se transforma,
e com o vento ao deserto
se transporta,
insignificante, pisada,
mas não morta.
Agora em movimento.
Ainda ouve histórias...
Lições de vida,
que guarda em sua memória.
E que dia a dia carrega, 
ensina...
A quem tempo tiver de observar e ouvir, a 
quem chamam de natureza morta.  

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